Julgamento da morte de Severino Cassimiro ocorrido dentro da Delegacia Regional de Picuí ocorrerá nesta terça-feira, 08.


Está marcado para amanhã, 08/05, no fórum de Picuí a audiência dos acusados do Massacre ocorrido dentro da Delegacia Regional de Picuí no ano de 2006 em que a população linchou  Severino Cassimiro da Silva até a morte e tocou fogo no corpo do mesmo.

Reus :


ALEX SANDERS DE LIMA DANTAS
GIMAILDO DOS SANTOS NASCIMENTO (já falecido)
JOAN SALES NASCIMENTO
JOSE BARROS BATISTA
ALESSANDRO REIS DA SILVA
MARCELO DE LIMA DANTAS
JOSE GENAILSON SIMPLICIO DE OLIVEIRA
HELIO FERREIRA LIMA
ALBERTO JORGE GALVAO DE SOUZA
JOSIEL DE SOUZA


Vítima: Severino Cassimiro da Silva  Processo: 027.2006.001.263-3


Reveja a matéria da época:
Preso é apedrejado e queimado em Picuí
“Justiça! Justiça! Justiça!” Gritavam os quase cinco mil moradores da cidade de Picuí, no momento em que arrombaram a parede da delegacia, retiraram um preso e o linxaram até a morte. O fato aconteceu na noite dessa segunda-feira, momento após a polícia prender Severino Cassimiro da Silva, 41 anos, acusado de matar e esquartejar José dos Santos Nascimento, há oito dias.
De acordo com informações da polícia, Severino matou José dos Santos por causa de uma dívida de 200 reais, originada da venda de um boi. No último dia 12, o acusado foi atrás do devedor e passou a cobrar o pagamento do dinheiro. Como José dos Santos disse que não tinha, Severino simulou fazer-lhe uma nova proposta de negócio, na qual o débito seria quitado.
O acusado levou José para um sítio próximo da cidade e, em vez de negócio, o assassinou com cinco tiros. Após os efetuar os disparos, vendo que José já estava morto, Severino pegou um machado e partiu o corpo da vítima em pequenos pedaços. O crime ganhou grande repercussão na cidade.
Na tarde dessa segunda-feira, os policiais civis localizaram Severino e efetuaram sua prisão. Inicialmente ele negou o crime, mas após um interrogatório confessou e levou os policiais ao local da execução para narra detalhes do esquatejamento. O machado e o revólver utilizados por ele também foram encontrados. 
Ao saber que Severino estava na delegacia, cerca de cinco mil moradores se juntaram em torno do prédio, ameaçando invadir para matar o preso. Os policiais resistiram à pressão popular, ficando expostos até ao espancamento das pessoas revoltadas para garantir a integridade física do preso. Mas o volume da multidão acabou prevalecendo.
Um grande grupo de manifestantes passou a queimar os carros apreendidos que estavam no pátio da delegacia. Outra parte começou a cavar um buraco na parede do xadrez, até que tiveram acesso à parte interna. Severino foi arrastado para fora do xadrez, apedrejado e queimado vivo. O reforço policial do pelotão de Choque chegou à cidade, mas não conseguiu evitar o lichamento do preso.
“Não efetuamos disparos nem tomamos qualquer outra medida mais radical, para evitar uma tragédia maior”, afirmou José Guedes, superintedente de Polícia Civil na cidade. Por outro lado, ele disse que uma testemunha filmou toda a ação dos manifestantes e prometeu intregar cópia da fita para a polícia. O superintendente Geral, Gerson Barbosa disse que um delegado especial será designado para investigar o caso.
Preso vereador acusado de linchamento na Paraíba
O presidente da Câmara dos Vereadores da cidade de Baraúna, na Paraíba, Reginaldo Rodrigues de Lima, 35 anos, está preso sob acusação de comandar a invasão à delegacia de Picuí, que culminou com o linchamento de um preso que, depois de morto, foi queimado na rua.
Também estão presos Hélio Ferreira de Lima, 49 anos, José Antônio da Silva Santos, 25 anos, José Leonilson Feitosa da Silva, João Barros Batista, 47 anos, e Joan Sales Nascimento, 22 anos. Eles são acusados de promoverem o arrombamento da parede que deu acesso à cela onde estava o preso, matarem o detendo a pauladas e pedradas, além de atearem fogo no corpo da vítima.
O fato aconteceu na noite do dia 19 de junho, pouco depois da polícia prender Severino Casimiro da Silva, 41 anos, acusado de matar e esquartejar José dos Santos Nascimento, oito dias antes. O assassinato de Nascimento provocou revolta entre os moradores da região, uma vez que o crime foi praticado com requintes de crueldade, motivado por uma dívida de R$ 200, proveniente de um boi que Silva tinha vendido para ele.
Após matar Nascimento com cinco tiros, Silva pegou um machado e partiu o corpo de sua vítima em pequenos pedaços. O corpo de Nascimento só foi identificado após a realização de um exame de DNA, feito pelo Instituto de Polícia Científica (IPC).
Segundo a polícia, também foi o exame que confirmou a autoria do crime, através de vestígios das mãos de Silva que foram deixados no machado.
A ação do vereador teria ocorrido a partir do incentivo aos manifestantes para invadir a delegacia. O preso foi morto a pedradas e pauladas e, depois, teve o corpo queimado na rua. Foi graças a uma filmagem feita pela polícia que todos os envolvidos foram identificados. Outras pessoas ainda deverão ser presas também por determinação da Justiça.