Polícia diz que adolescentes foram a baile funk depois de matar jornalista.



Os delegados do Deinter 7, Júlio Guebert, da DIG Sorocaba, José Urban Filho, da delegacia seccional, Marcelo Carriel, e também da DIG Sorocaba, Acácio Leite, esclareceram em coletiva de imprensa o modo como os quatro adolescentes mataram o jornalista Celso Mazzieri (Foto: Fernando Rezende)
 
 
O corpo do jornalista Celso Mazzieri, 45 anos, foi encontrado ontem de manhã, em Porto Feliz, já em estado de decomposição, pelos investigadores da Polícia Civil. Ele foi deixado próximo à estrada que liga Porto Feliz a Sorocaba. O crime foi premeditado pelo próprio namorado da vítima, K.U.A.F.A., 17 anos, com os outros colegas G.O.M, de 17, E.F.S, de 16, e C.H.P, de 15. A morte aconteceu na noite de sexta-feira (28), quando o jornalista levava os quatro jovens a uma noite de carnaval, chamada de “baile da espuma”, na zona norte de Sorocaba. 

As investigações foram comandadas pela Delegacia de Investigações de Sorocaba (DIG) e da delegacia de Porto Feliz. Em entrevista coletiva ontem, na Delegacia Seccional de Sorocaba, o delegado Marcelo Carriel, os delegados da DIG, José Humberto Urban Filho e Acácio Leite, e o delegado do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 7), Júlio Gustavo Vieira Guebert, explicaram todos os trâmites do crime. De acordo com as apurações, o combinado era que o jornalista buscasse na casa deles os garotos, que moram no bairro Caíque, e viessem diretamente para Sorocaba. K., namorado da vítima, ia sentado no banco do passageiro, no veículo Citroën C3 preto, e atrás iam os outros garotos. 

Durante o trajeto, os três menores pegaram uma corda e começaram a estrangular o jornalista. O menor que estava na frente foi controlando o carro. Depois de o enforcarem, eles usaram um lacre de plástico para amarrar as mãos da vítima, como também o pescoço, para não ter chances de se salvar. O corpo foi deixado no meio de um matagal, e reconhecido pela camisa. “Os criminosos escolheram um caminho de difícil acesso, com buracos e matagais, onde o carro teria de ser obrigado a passar com velocidade baixa. Neste momento, eles mataram o jornalista, que não teve nenhuma chance de defesa”, disse José Urban Filho. 

O corpo foi deixado no bairro Caguaçu. A Polícia conseguiu encontrá-lo através de pistas que identificaram os menores, que relataram o local onde o jornalista estava. A Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima da localização do automóvel. Ele foi encontrado com a numeração raspada na manhã de ontem, no bairro Engenho D'água, próximo da Fazenda Capuava, em Porto Feliz. “Eles deixaram o veículo longe do corpo para não haver suspeitas e despistar a polícia, mas nós, em diligência, conseguimos encontrar o veículo e o corpo, num trabalho conjunto entre a DIG e a delegacia de Porto Feliz”, relatou o delegado Urban. 

DEPOIMENTOS – Os quatro adolescentes passaram por três oitivas, onde relataram como teria acontecido o assassinato. Segundo o delegado Acácio Leite, o namorado de Celso Mazzieri quis matá-lo por este não ter cumprido a promessa de transformar os adolescentes em “garotos-propaganda”. “Eles desejavam fama e vislumbravam uma vida artística na TV, onde o jornalista trabalhava. K. acabou confessando como planejou a morte de Celso, de forma fria e sem nenhum arrependimento.” 

O jornalista conheceu K. quando estava na lanchonete Castelinho da Pamonha. Ele e o adolescente G. trabalhavam como atendentes. A partir daí, começou uma amizade, que já durava três meses. Segundo a polícia, os garotos foram demitidos do estabelecimento nos últimos dias. Ainda, de acordo com os delegados, os quatro garotos foram levados para o esclarecimento dos crimes na delegacia de Porto Feliz. A mãe de um deles estava muito abalada, e não acreditava que o filho teria cometido algo tão grave. 

Depois de matarem Celso Mazzieri na noite de sexta-feira (28), os adolescentes teriam deixado o veículo, na manhã do sábado (1º), na casa de um amigo, que, segundo a Polícia Civil, não foi apontado no envolvimento do assassinato. “Ele também prestou depoimento e foi arrolado como testemunha”, disse Acácio Leite. Além dos quatro menores, uma quinta pessoa está sendo procurada como participante na morte do jornalista. 

Os menores também contaram que depois de enforcarem Celso Mazzieri roubaram R$ 170 da carteira dele e, com o dinheiro, compraram drogas e bebidas, que eles consumiram no baile de carnaval. “Eles confessara que usaram entorpecentes e bebida alcoólica durante a noite. Apesar da crueldade, os quatro jovens não tinham antecedentes criminais”, contou Urban. 

FAMILIARES DA VÍTIMA - O advogado da família de Celso Mazzieri, Roberto Guastelli Testasecca, também compareceu na delegacia de Porto Feliz, juntamente com o irmão da vítima. Ele disse que toda a família está muito abalada e pede justiça pelo assassinato. “Faremos todo o acompanhamento do processo, pois se trata de menores. Queremos que a justiça seja feita sobre este crime hediondo.”

Segundo a prima do jornalista, Vanessa Silva de Andrade, 25 anos, Celso Mazzieri iria com a família para a chácara do irmão em Peruíbe, na manhã do sábado (1º). Todos ficaram esperando que ele voltasse ainda na sexta-feira à noite, mas ele não foi encontrado. “Ligamos várias vezes para o celular dele, mas ele não atendia. Passadas as 24 horas que ele não voltava para Santo Amaro, registramos um boletim de ocorrência de desaparecimento.” 

Os parentes deram por falta do rapaz e começaram a procurá-lo. Chegaram a vir ao Instituto Médico Legal (IML) de Sorocaba e no Hospital Regional, mas não o encontraram. “Ficamos sabendo de um homem que morreu em um acidente de carro na sexta à noite, na rodovia Castelinho. Ele tinha as mesmas características e idade do meu primo, e estava sem identificação. Fomos até o IML e verificamos que não era ele.” A notícia de que o corpo realmente tinha sido encontrado foi transmitida ontem à família. Segundo o advogado, a mãe do jornalista, que morava com ele em Santo Amaro, tem problemas cardíacos e estava muito nervosa. 

VIDA PROFISSIONAL – Celso Mazzieri trabalhava como produtor e diretor artístico num programa da Rede Brasil de Televisão, além de ser assessor da apresentadora Nani Venâncio. Durante a tarde toda de ontem, ela e outros parentes da vítima disseram sobre o excelente trabalho produzido por ele e também do carinho que ele transmitia a todos na TV. 

PENALIDADE – Os quatro adolescentes, que responderão por homicídio qualificado, serão encaminhados à Fundação Casa por determinação da Justiça de Itu, para medidas socioeducativas. “Ainda seguiremos com as investigações sobre o caso, para esclarecimento à família e à população”, disse o delegado Acácio Leite. 

 
 
MACONHA APREENDIDA EM RODOVIA - Cerca de 500 quilos de maconha foram apreendidas pela Polícia Rodoviária, no fim da tarde de ontem, no quilômetro 73 da rodovia Castelo Branco, em Itu. A mercadoria estava escondida entre uma carga de soja em um caminhão, com placa de Campo Grande (MS). De acordo com a polícia, a droga seria entregue no Guarujá, litoral paulista. Dois suspeitos foram presos e trazidos para a Polícia Federal, em Sorocaba.